terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cuidador

Cuidador

É cuidador todo aquele que dedica seu tempo em atender alguém.
Toda atenção é dirigida para o bem estar da pessoa cuidada.
A mulher em geral é levada a esta prática em razão da maternidade ou ao menos pela vocação maternal ao atender filho, marido ou parente.
Temos inúmeras profissões que são dirigidas e treinam para o exercício desta função que exige muito desprendimento.
O grupo leigo que tens apenas boa vontade necessita orientação para não cometer erro ao executar seus atos de bondade.
Alias quem fez o curso primário no colégio São José por volta de 1950 e foi aluno da irmã Leocardia, Ir. Elizabeta, D. Ruth, D. Maria e Ir. Guidia deve ter participado da “Liga da Boa Vontade” onde nos era ensinado como atender e fazer o bem aos outros, ajudar em pequeno curativo e a qualquer pessoa com alguma dificuldade.
Este é o espírito necessário para ser um cuidador, a babá é uma cuidadora e os acompanhantes são cuidadores.
Aqueles que são profissionais recebem remuneração por este trabalho, os outros são voluntários que nada recebem pelo carinho além do conforto espiritual. As manifestações de gratidão acompanham sempre esta atividade. Se membro da família, o cuidador conhece os hábitos e maneiras de vida daquela casa, todavia se for estranho então as dificuldades iniciais serão acentuadas até que intere de tudo. Em qualquer situação, há que se deixar o tempo passar para avaliar a capacidade de um cuidador e na dependência do seu temperamento acabara atuando como confessor também.
O papel do cuidador na evolução da doença de uma pessoa é de extrema importância e faz parte da cura.
Assim para uma pessoa de idade o acompanhante necessita iniciativa, paciência e bom caráter. À medida que cresce o grau de dificuldade além das qualidades referidas, aumenta também a importância do conhecimento da patologia do atendido. Quando em razão do caso se tornam obrigatórios curativos complexos o cuidador necessita de curso, participar e orientar a compra do material seu armazenamento e uso, para permitir uma evolução a contento.
Por exemplo, quando o paciente é portador de úlcera de pressão ele tem inúmeras dificuldades que exigem iguais cuidados a serem conduzidos ou realizados pelo cuidador.
Ainda é interessante comentar que o paciente acamado tende a provocar escaras com ulcerações pela longa permanência na mesma posição. Nestes casos é obrigatória a mudança repetida do decúbito para evitar a instalação da necrose e para isto tem técnica a ser seguida.
Compete ao cuidador orientar o enfermo e a família, para nada ser interrompido na sua ausência e lograr algum resultado.
Nos casos em que exista derivação intestinal é necessário trocar as bolsas e manter a área nas condições ideais. São várias as situações que envolvem necessidades de curativos por vezes infectados, mas, que não obrigam manter o paciente internado devendo continuar o tratamento a domicilio. Quando estiver anunciada a alta hospitalar ou ainda durante a internação deve ser solicitado ao médico assistente que oriente os cuidados após a alta e a enfermagem pode ensinar os atos mais complexos durante a permanência hospitalar.
A nosso ver todo hospital que tenha condições de tratar as patologias mais exigentes deve manter cursos dirigidos aos cuidadores para dar-lhes subsídio técnico que permita continuar a assistência a domicílio.
Os cuidados devem ir até o momento do descarte do material utilizado, pois são no mínimo usados se não contaminados e contaminantes que obrigam o uso de caixas ou bolsas plásticas especiais iguais as dos hospitais.
Alguns pacientes portadores de males imobilizantes, além do resultado obtido tem sua manutenção, como é o caso dos cadeirantes ou idosos incapazes.



Enxerto de gordura

Enxerto de gordura
Podemos transplantar gordura de um lado para outro no mesmo corpo.
Os procedimentos que surgem como propostas novas de cirurgia há muito já foram pensados, escritos e discutidos. Isto aconteceu também com a lipoaspiração que no inicio do século era proposta de forma semelhante e consistia da retirada através de curetagem. Não evoluiu bem porque muitas foram as infecções que surgiram e os graves problemas e destruições que resultaram desencorajando o mundo cientifico que abandonou e condenou procedimento. Neste momento o grande problema era a permanência de tecido desvitalizado dentro do organismo.
Em 1980 da França veio a solução, pois o método simulava aquela curetagem ao mesmo tempo que retirava a gordura desvitalizada pela aspiração, não deixando resíduo de tecido morto como antes.
Neste mesmo ano iniciaram as primeiras cirurgias no Brasil e Argentina.
Em 1982 iniciamos em Santa Catarina e criamos o primeiro aparelho brasileiro de lipoaspiração, utilizando compressores da fábrica Duat de Joinville que tinha um modelo pequeno para artesanato.
Com técnica aparentemente simples, a lipoaspiração durante algum tempo não enxergava seus limites em razão pouca experiência mundial com a técnica. Ao longo do tempo os limites foram definidos, ficaram claros e os problemas reduziram. Hoje esta devidamente equacionada entre os especialistas que a vem estudando durante todo este tempo.
Em pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo foi constatado que 97% dos acidentes ocorridos naquela jurisprudência foram provocadas por não especialistas em Cirurgia Plástica.
Os pesquisadores da especialidade desde 1984 iniciaram a injetar a gordura, aproveitando o material aspirado. No início se perdia 70% de todo volume, depois foi percebido que variava a absorção segundo o local tratado, procurou-se a razão. Hoje temos definidas as regiões doadoras e as áreas de melhor receptividade com maior aceitação e permanência mais prolongada da gordura reintroduzida.
Regiões como as nádegas são as que melhores resultados têm apresentado. A técnica tem como fator limitante a fartura ou escassez da área doadora do candidato uma vez que não é utilizado transplante cruzado de gordura, ou seja, de outra pessoa. Apenas gêmeos univitelinos, aqueles quase iguais, permitem esta prática, pois são geneticamente iguais por isso não desencardiam rejeição.
Hoje foram obtidas algumas respostas àquelas indagações através do estudo das células tronco. Foram encontrados elementos celulares com estas características no interior do tecido gorduroso lipoaspirado.
Várias são as propostas para preparação deste recurso e novamente somos colocados diante do dilema do volume necessário, por vezes maior que o disponível.
É um método de relativa simplicidade, ainda que necessite ser antecedido por lipoaspiração proporcional à grandeza do volume necessário para ser enxertado ou transplantado.
Lavada e devidamente preparada a gordura através de finas cânulas é injetada no tecido subcutâneo ou dentro do músculo da região para aumentar o volume e ganhar nova forma ou fazer desaparecer sulcos e rugas.
Ainda que se tenha evoluído muito, o fantasma da reabsorção não nos abandonou, mas, após os avanços técnicos o proveito e manutenção do volume injetado, é maior.
Em 1982 apresentamos em alguns congressos, como novidade, a técnica de “enxertia de gordura”, depois a tática voltou dos centros maiores com seu nome modificado.
Esta técnica passou a ser chamada de “lipoescultura” por retirar gordura de um local e injetar em outro enquanto o tratamento feito em pequenas áreas recebeu o nome de “microlipoescultura” sem que houvesse grande diferença entre eles.
A lipoaspiração ou a lipoescultura quando realizadas por mãos hábeis e preparadas dentro dos princípios básicos de segurança, não oferecem riscos. Quando o cirurgião não tem o preparo conveniente ou cede à pressão do paciente para fazer maior número de procedimentos que o ideal a título de “aproveitar a oportunidade e a anestesia”, iniciam os problemas e os acidentes.
Esta técnica praticada com conhecimento, consciência e destreza é segura e constitui a maior inovação cirúrgica do século dentro da cirurgia plástica e seus princípios possibilitaram excelentes modificações em outras especialidades.


Consute o Blog : “Rodrigo d´Eça Neves; Cirurgia Plástica Dúvidas, Soluções e Humor.”


Nariz


rodrigodeca@gmail.com
O nariz é um segmento de extrema importância na composição da face.
Ele participa do belo, feio, caricata, representa caráter, impõe e simboliza.
É classificado em três grupos básicos com formas dependentes das etnias da raça humana. Caucasiano quando tem o corpo fino, ponta delgada, orifícios posicionados no sentido antero - posterior e as asas não ultrapassam os limites da linha que é baixada verticalmente a partir do canto interno da fenda palpebral. Oriental é aquele cujas asas chegam a ultrapassar as mesmas linhas laterais antes definidas, dorso com pouca projeção representando achatado como se estivesse sofrido trauma, as fendas são posicionadas no sentido latero-lateral. O terceiro é o grupo negróide que exatamente ultrapassa bastante as linhas baixadas dos cantos internos das fendas palpebrais, os intróitos são horizontais, dorso é medianamente elevada com ponta larga e deprimida.
Diante desta colocação já está entendido que não há padrão único de técnica para realizar esta cirurgia. Devemos estudar cada caso, estabelecer o diagnóstico e daí definir a tática de abordagem.
Ao nascer o homem cruza a infância com a face pequena e o crânio duas vezes maior. O tempo vai evoluindo e a parte do crânio pouco cresce enquanto a face desenvolve crescendo para baixo e para frente sob influência da ação dos músculos faciais.
Estas estruturas têm uma extremidade fixada na pele e outra no osso, cada vez que há a sua contração ocorre tração no extremo da pele e uma detração no extremo que se fixa no osso. Esta condição comporta-se como se fosse vácuo que estimula crescimento do osso e modela a face. Assim cada indivíduo termina parecido com os seus, pois o fator genético é que determina o poder de cada músculo da mímica. Ao redor dos 11 aos 16 anos ocorre o crescimento da face onde a mandíbula e o nariz são os elementos que mais se modificam. É neste momento que as cartilagens de sustentação das paredes e o septo, empurram dorso e ponta nasal para frente provocando eventual desvio com conseqüente distorção da forma ao mesmo tempo em que demonstra as características familiares.
Historicamente ao nariz eram atribuídas qualidades outras como a equivalência entre o seu tamanho e a genitália masculina. Muita alcunha surgiu a partir do formato e tamanho do apêndice nasal.
Na antiga Índia quando uma mulher era infiel como castigo cortavam fora o nariz, assim também era penalizado o homem ladrão. Os cirurgiões indianos à época criaram um método de reconstruir esta unidade anatômica, utilizando a pele da testa, tratamento que ainda hoje é utilizado para as mesmas perdas ainda que por outras causas. Aqui na América pré-colombiana eram penduradas grandes argolas como adornos em ouro laminados que diferenciavam chefes e nobres de cada tribo. Agora, como novidade, antiga prática é ressurgida com pequenos brincos ou argolas que são pendurados no nariz de homens ou mulheres.
O que na verdade devemos é proteger do sol com bom filtro solar (acima de FPS15) para evitar manchas ou câncer de pele no futuro.
Na analise do seu formato e tamanho, algumas relações com outros elementos da face foram muito utilizadas pelos pintores e escultores, para produzir harmonia e beleza além de ser considerado normal em suas obras quando mantido dentro das proporções ideais.
Olhando de frente ocupa cerca de um quinto da largura da face, a sua altura equivale ao tamanho da orelha quando medido desde sua junção com o lábio até o espaço entre as sobrancelhas (glabela), variando a largura das asas e a projeção anterior, segundo a etnia.
Na adolescência, período em que há um futuro incerto quanto a sua capacidade pessoal, o fator beleza é muito importante e mobiliza com intensidade prazer e desprazer dos jovens em relação ao seu formato.
O nariz termina responsabilizado por insucessos, surgindo o ardente desejo de modificar sua forma e tamanho. Sentimento este que perdura por longos anos, veladamente guardado entre os segredos da pessoa que acaba sendo induzida à cirurgia na primeira oportunidade, como a solução de desejo até então reprimida.


sábado, 23 de julho de 2011

Lábios



Os lábios em numero de dois compõem e limitam a boca com um superior que inicia no nariz e limitado pelo bordo livre (vermelhão que é a superfície decorada pelas mulheres com belas cores pelo batom) e outro inferior entre o bordo livre e o mento e lateralmente terminam nas comissuras labiais (cantos da boca).
São formados por três estruturas básicas. A face interna é revestida pela mucosa oral que por sua origem e função necessita de umidade, para tanto se vale da saliva das glândulas principais além das minúsculas assessórias localizadas aleatoriamente em todo interior da boca.
A face externa é recoberta por pele em toda extensão dos lábios sendo lateralmente limitados pelos sulcos nasogenianos rico em glândulas sudoríparas, sebáceas e pelos finos na mulher e espessos no homem.
No lábio superior existe maior requinte na sua formação, assim na porção central existe uma área afundada limitada por duas cristas cutâneas que compõem o filtro labial separando as metades laterais (vertente lateral direita e esquerda).
As duas coberturas com diferentes estruturas são limitadas por uma formação mais elevada que a vizinha que determinam as linhas cutâneo-mucosas. Estes elementos são bem definidos na juventude, entretanto, se apagam na medida que a idade aumenta e a pessoa se torna madura, acompanhando a espessura que se reduz deixando o lábio mais finos.
A terceira camada é a muscular, subdividida em segmentos e feixes que permitem contrair e formar um “bico” e outros trejeitos que fazem parte da mímica demonstrando aprovação ou alegria com o sorriso, cinismo ou tristeza com queda dos cantos.
Este fenômeno é inexorável e não tem prevenção efetiva, variando com a etnia e a genética de cada um. Nos povos cujas peles apresentam mais colágeno que fibra elástica como entre negros e orientais as rugas são muito tardias ou ausentes. Esta constatação criou a fantasia deste efeito com o uso de cremes com colágeno. Na dieta este elemento pode ser ingerido na gelatina onde é praticamente pura, todavia a barreira intestinal ao absorver desmonta o ofertado e depois remonta segundo seu padrão genético
Para eliminação de defeitos ou dissabores com os lábios, muitas manobras corretivas são propostas.
Para aumento dos lábios ou redesenhar as suas linhas, utilizamos material natural ou artificial, assim podem ser introduzidos através de mínimas incisões ou injeções, tecidos vivos como gordura ou sintéticos como polimetilmetacrilato (PMMA), ácido hyalurônico, hidrogel, hidroxi apatita e outros.
Todo cuidado deve ser tomado para evitar resultados exagerados que são produzidos na tentativa de eliminar totalmente as mínimas rugas existentes nos lábios. Enquanto na verdade não é a ruga que deixa envelhecida uma pessoa, devemos reduzir os traços maiores para dar um ar jovial com aspecto descansado de noite bem dormida.
Para cada problema existe um produto com consistência e densidade específica que permite bons resultados diante de diferentes problemas.
Os sulcos nasogenianos que ficam laterais aos lábios e o bigode chinês são preenchidos com injeções que muito melhoram e rejuvenescem.
Quando bem indicado pode aumentar a espessura do lábio com alargamento do vermelhão, obtido com injeções destes produtos. Estas aplicações podem provocar pequenas hemorragias que mancham de roxo a região por alguns dias e desaparecem espontaneamente. Elas podem ser evitadas ou reduzidas com uso de gelo no local ou acelerar a solução destas equimoses com uso de massagem e pomadas .
O “peeling” químico (ácidos), físico (laser) ou mecânico (abrasão) oferecem semelhantemente bons resultados.
Em casos mais avançados existe também o “lifting” para quando os lábios apresentam muitas e profundas rugas em que as cicatrizes são disfarçadas em suas linhas anatômicas.
Em casos muito acentuados também é indicada a cirurgia para reduzir a profundidade dos sulcos nasogenianos com retirada direta de pele.
A maquiagem muito auxilia para disfarçar os defeitos tanto quanto exaltar os belos elementos que compõem uma face. Assim entendendo, acreditamos que após a cirurgia quando utilizada discretamente é de extremo valor.
E para finalizar deixamos como mensagem o pensamento que a maquiagem nunca deve ser mais exuberante do que aquilo que ela deve valorizar.

Tainha

Tainha

rodrigodeca@gmail.com
É o nome genérico dado aos peixes da família dos mugilídeos que reúne 80 espécies divididas em 17 gêneros distribuídos em mares das regiões temperadas, foz de rios, lagoas e até em água doce. A que ocorre na costa brasileira tem o nome de “Mugil Cephalus”. É chamada de mugem, fataça ( Portugal), tainha ( Brasil), mulet ou muge (França). Diante de discussões no mundo científico que se ocupa destes nomes, em 1960 classificou de perciforme.
É conhecida a sua participação na alimentação humana através de relatos oriundos do Império Romano que dão conta do seu consumo em todo Mediterrâneo.
Aqui na nossa região a tainha tem imensa importância, econômica pelo resultado da comercialização do obtido na sua captura.
O aspecto social é muito grande com interferência em todas as camadas sociais de todo o litoral catarinense onde ela é pescada.
Desde a foz do rio da Prata onde se multiplicam migram em direção à lagoa dos Patos, onde tornam a multiplicarem-se. Quando as águas começam a esfriar elas migram buscando melhores temperaturas. Neste período suponho que aconteça em toda foz ou canal, o que se presencia no canal da Lagoa da Conceição em Florianópolis onde minúsculas tainhas entram vindas do mar para suas águas calmas. Em todo este trajeto há a desova com a conseqüente fecundação dos ovos e proliferação. Acontece no canal da Lagoa de Imaruí em Laguna onde os botos permanecem para se alimentar e a tainha é cobiçada por eles. Quando as perseguem conduzem-nas para as margens do canal onde os pescadores as apreendem com suas tarrafas muito bem manejadas que são atiradas, se abrem e afundam na água criando movimento de dança como um balé repleto de graça, cadencia e harmonia. Ali os botos são conhecidos por nome em razão de características individuais um deles era chamado de “galha torta” pelo defeito que apresentava nesta parte do seu corpo.
Nas praias existem as emendas constituídas por um grupo de sete pescadores, uma canoa bordada, grande rede, cabos e remos longos. Entre os pescadores dois se ocupam de unir os cabos (cordas) e jogar a rede ao mar, outros quatro remam em ritmo determinado pelo patrão que em pé na popa, se utiliza de remo curto para pilotar a canoa. Desta forma saem da praia e descrevem um semicírculo para cercar o cardume do peixe e arrastar até a praia.
As canoas esculpidas em um único tronco de garapuvu (SC) gaparuvu (RS), todas com nomes em geral homenageando alguém, são levadas ao mar sobre rolos, da mesma forma como são recolhidas.
O arrastão ocorre nas praias voltadas para o oceano onde nos dias em que a temperatura baixa traz as tainhas para próximo da praia e são avistadas de cima de morros ou pedras pelos olheiros que determinam o local do lanço.
Todos da comunidade participam ajudando no arrasto da rede.
Algumas vezes o volume de tainhas obriga a colocação de outra rede extra no bloqueio, evitando rotura e fuga dos peixes, logrando por vezes aprisionar algumas toneladas com trabalho para todo o dia.
Quando estão agrupadas na areia se debatem e respingam areia em todos que ali as cercam e instala-se uma verdadeira Torre de Babel, muitos falam para comprar, segurando as eleitas enquanto os pescadores falam todos ao mesmo tempo cuidando do troféu e seu quinhão é determinado pelo chefe da rede que grita ao mesmo tempo em que negocia com as pesqueiras. Estas sempre a postos nestas horas promovem a pesagem e transporte para comercializar e distribuir o pescado.
Elas quando aqui cruzam, estão gordas em trono de dois quilos parte com ovas e outras mais magras porque já desovaram, viajam até a altura d o Arquipélago de Abrolhos onde chegam a atingir ate 5 quilos antes de se perderem no oceano. Neste momento as tainhas estão magras, o que lhes rouba qualidade e sabor deixando a carne esfiapada como palha levando a perda do seu papel sócio-econômico como tem na nossa praia.
Tainhas quando não tem ovas e estão magras são conhecidas como tainha facão, pois apresentam a barriga fina como fosse uma lâmina.
Em Florianópolis é uma honra conseguir comer tainha do primeiro arrastão. O forte cheiro que exala ao ser frita ou assada denuncia seu consumo em todos os cantos da cidade. A população se mostra alegre porque a tainha chegou.

Referência-
Dados técnicos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tainha

sábado, 28 de maio de 2011

O entrudo

O Entrudo Popular
O entrudo deriva de manifestações festivas na antiguidade, envolvendo as figuras de deuses como Saturno (romano) e Dionísio (grego) com festas populares em sua honra e que sofrem variações até os dias de hoje. Acontecia tres dias antes do inicio da Quaresma com registros do século XIII, eram utilizadas roupas diferentes das usuais, estravagantes, de cores chamativas que representavam as fantasias do folião.
Com o nome advindo do latim da palavra “introitus” que por metafonia consagrou como entrudo e queria dizer introdução ao período da quaresma. Como parte das festas eram jogados liquidos uns nos outros.
Usando apenas água limpa, era praticado dentro das casas de familia e na corte, todavia entre a população eram atirados todo tipo de líquidos e até água.
Em Portugal na região Trás-os-Montes, na cidade de Lazarim hipertrofiou o habito do uso de máscadas de madeira com chifres diabólicos e ou traje colorido conhecidos como os caretos como mostram as figuras acima.
No Brasil o folgedo foi trazido com a corte e na época de 1608 já foi tentado proibir o entrudo por ser considerado violento enquanto na verdade, se limpo, era apenas incoveniente. Durante muito tempo as máscaras por questão de segurança eram proibidas.
“Em 1857, as crônicas carnavalescas divulgavam, em tom triunfal, a vitória da máscara sobre o entrudo, com características das maneiras carnavalescas italianas, como os bailes de máscaras. Claudia Lima”
Neste momento elas foram introduzidas nos salões atraves dos bailes de máscaras bastante difundidos em toda Europa e trazido também para o Brasil.
Foi na cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1840, então sede do Governo Imperial, que se realizou o primeiro baile público de máscaras do Brasil.
Debret e Rugendas pintores do Brasil Império, artistas encarregados de registrar tudo, deixaram inúmeras aquarelas, gravuras e pinturas destas manifestações populares.
O nome carnaval iniciou mais tarde tendo como origem a conjugação das pelavras do latim “ carnis (carne) + vale (adeus)” significando o início da quaresma e da abstenção de carnes na dieta. O entrudo apesar das tentativas de proibição continuou, embora em menor escala. Diante da mistura de costumes ocorrida pela migração com o crescimento das cidades foi perdido o grau de intimidade que reinava enquanto pequenas comunidades, o que contribuiu para a redução da sua prática. Pelas suas características induzem à reações adversas, por vezes levando à luta corporal, estes problemas fizeram com que o entrudo fosse pouco a pouco abandonado.
Em algumas cidades se mantem em manifestações isoladas como o “mela-mela” de Olinda e entre os “ pipocas” povo que segue o trio elétrico em Salvador com bolas de cêra repletas de água de cheiro ou apenas água.
Busquei todas estas informações como conexão para falar do entrudo na praia da Jaguaruna ou Arroio Corrente.

domingo, 22 de maio de 2011

Emerita brasiliensis Tatuira ou Tatuí

Emerita brasiliensis
Tatuí – (tatu) tatu e (i) água, tatu da água ou tatu d´água.
A palavra tatuíra esta fora do dicionário Tupy-guarani- português de Silveira Bueno, todavia é empregada entre nós na região sul, pois acima do Paraná é conhecida como Tatuí.
Houaiss em seu dicionário define tatuíra como sendo um tipo de tatu da região que envolve, Bolivia, Paraguay, Brasil, Argentina e também crustáceo que habita as praias brasileiras em quase toda sua totalidade.
É um crustáceo que tem esqueleto externo de forma ovóide formando dorso e laterais, e na face ventral encontramos os membros em numero de dez e placas rígidas compondo seu corpo. Seu habitat é a borda da praia, geralmente aberta para o oceano com fortes ondas onde a água termina penetrando na areia.
De cor branco – acinzentada, tem as margens de cada elemento mais escuras que o seu centro e deixa-se levar pelas águas que sobem na praia, quando a onda baixa retornando ao mar, habilmente penetra na areia. Servindo-se dos seus membros e das placas que contornam o extremo posterior, ela penetra na areia do fundo. Na outra extremidade elas têm os olhos na ponta de dois finos cilindros ladeados por dois espigões pontiagudos e a estrutura bucal com dois elementos plumados que lhe permite coletar plânctons. Ao se introduzir parcialmente na areia estas estruturas ficam à mostra. Ela vive em colônias que ocupam em torno de dois metros quadrados da superfície, uma ao lado da outra, ocupando grande extensão da praia.
Por vezes fica impossível caminhar sobre elas em razão dos espinhos que picam ou perfuram a sola do pé. No ciclo de sua reprodução, produz grande quantidade de ovos que são acomodados no ventre entre as patas, protegidos pela placa que reflete da casca superior. Neste momento armazena grande quantidade de gordura e nutrientes de cor laranja- avermelhada ao longo do dorso e ventre. Demora cerca de três meses desde pequenas até seu tamanho máximo em torno de 4 cm. Costuma ficar em camadas deferentes em que as menores ficam na superfície e as maiores se estabelecem mais abaixo.
A cada etapa de seu crescimento ela troca sua casca permanecendo curto período com a alteração que a deixa conhecida como tatuíra de “casca mole”. Sua presença em abundância significa que a praia é limpa e livre de poluição.
Sua pesca é feita cavando a areia da praia e recolhendo os animais.
É utilizada como isca para pesca de linha, carretilha ou espinhel, a de casca mole é a preferida. Quando pescada deve ser reunida em recipiente de tela ou com orifícios para que desprenda a areia.
A intensa curiosidade do homem o fez pesquisar a maneira de introduzi-la na arte culinária. Uma vez pescada a primeira ação é colocar a tatuíra em coador ou escorredor e deixar mergulhada em água doce pelo tempo necessário para a areia ser eliminada.
A de tamanho menor é tostada em óleo ou manteiga e servida como tira gosto. Para tanto basta dourar em frigideira deixando-a crocante. Come-se inteira, torrada e salgada como se pipoca fosse. Com as maiores se prepara um excelente caldo que fica supimpa quando elas estão ovadas e pode ser preparado segundo a orientação que se segue.
Para dois quilos de tatuíra, descascamos e picamos finamente três a quatro cebolas médias, três tomates maduros, quatro dentes de alho, pimenta do reino, água e sal a gosto. Reunimos tudo numa só panela sem refogar o tempero e deixamos cozer até extrair bem o sabor e ao final acrescentar manjericão ou alfavaca. Graças à ova, cor e sabor são inesquecíveis.
Com amassador de feijão trituramos bem a tatuíra e os temperos até que estejam todos bem macerados. Não utilizamos liquidificador porque as cascas moídas finamente representam permanência de areia e depõe contra a qualidade da sopa. Coamos o caldo espremendo o conteúdo da panela em um pano para retirar apenas o caldo. Depois dependendo de cada cozinheiro ou gosto familiar pode ser engrossado com amido ou farinha de trigo.
O caldo pode ser servido em xícara ou prato como sopa ou utilizar para cozer arroz, fazer caldo de peixe, enfim, atende a toda criatividade.
Tem sabor de tatuíra que se coloca entre siri, lagosta e camarão, mas, com seu toque particular.
Aproveitem esta iguaria pela raridade do seu sabor, talvez o melhor dos mares.