Tainha
rodrigodeca@gmail.com
É o nome genérico dado aos peixes da família dos mugilídeos que reúne 80 espécies divididas em 17 gêneros distribuídos em mares das regiões temperadas, foz de rios, lagoas e até em água doce. A que ocorre na costa brasileira tem o nome de “Mugil Cephalus”. É chamada de mugem, fataça ( Portugal), tainha ( Brasil), mulet ou muge (França). Diante de discussões no mundo científico que se ocupa destes nomes, em 1960 classificou de perciforme.
É conhecida a sua participação na alimentação humana através de relatos oriundos do Império Romano que dão conta do seu consumo em todo Mediterrâneo.
Aqui na nossa região a tainha tem imensa importância, econômica pelo resultado da comercialização do obtido na sua captura.
O aspecto social é muito grande com interferência em todas as camadas sociais de todo o litoral catarinense onde ela é pescada.
Desde a foz do rio da Prata onde se multiplicam migram em direção à lagoa dos Patos, onde tornam a multiplicarem-se. Quando as águas começam a esfriar elas migram buscando melhores temperaturas. Neste período suponho que aconteça em toda foz ou canal, o que se presencia no canal da Lagoa da Conceição em Florianópolis onde minúsculas tainhas entram vindas do mar para suas águas calmas. Em todo este trajeto há a desova com a conseqüente fecundação dos ovos e proliferação. Acontece no canal da Lagoa de Imaruí em Laguna onde os botos permanecem para se alimentar e a tainha é cobiçada por eles. Quando as perseguem conduzem-nas para as margens do canal onde os pescadores as apreendem com suas tarrafas muito bem manejadas que são atiradas, se abrem e afundam na água criando movimento de dança como um balé repleto de graça, cadencia e harmonia. Ali os botos são conhecidos por nome em razão de características individuais um deles era chamado de “galha torta” pelo defeito que apresentava nesta parte do seu corpo.
Nas praias existem as emendas constituídas por um grupo de sete pescadores, uma canoa bordada, grande rede, cabos e remos longos. Entre os pescadores dois se ocupam de unir os cabos (cordas) e jogar a rede ao mar, outros quatro remam em ritmo determinado pelo patrão que em pé na popa, se utiliza de remo curto para pilotar a canoa. Desta forma saem da praia e descrevem um semicírculo para cercar o cardume do peixe e arrastar até a praia.
As canoas esculpidas em um único tronco de garapuvu (SC) gaparuvu (RS), todas com nomes em geral homenageando alguém, são levadas ao mar sobre rolos, da mesma forma como são recolhidas.
O arrastão ocorre nas praias voltadas para o oceano onde nos dias em que a temperatura baixa traz as tainhas para próximo da praia e são avistadas de cima de morros ou pedras pelos olheiros que determinam o local do lanço.
Todos da comunidade participam ajudando no arrasto da rede.
Algumas vezes o volume de tainhas obriga a colocação de outra rede extra no bloqueio, evitando rotura e fuga dos peixes, logrando por vezes aprisionar algumas toneladas com trabalho para todo o dia.
Quando estão agrupadas na areia se debatem e respingam areia em todos que ali as cercam e instala-se uma verdadeira Torre de Babel, muitos falam para comprar, segurando as eleitas enquanto os pescadores falam todos ao mesmo tempo cuidando do troféu e seu quinhão é determinado pelo chefe da rede que grita ao mesmo tempo em que negocia com as pesqueiras. Estas sempre a postos nestas horas promovem a pesagem e transporte para comercializar e distribuir o pescado.
Elas quando aqui cruzam, estão gordas em trono de dois quilos parte com ovas e outras mais magras porque já desovaram, viajam até a altura d o Arquipélago de Abrolhos onde chegam a atingir ate 5 quilos antes de se perderem no oceano. Neste momento as tainhas estão magras, o que lhes rouba qualidade e sabor deixando a carne esfiapada como palha levando a perda do seu papel sócio-econômico como tem na nossa praia.
Tainhas quando não tem ovas e estão magras são conhecidas como tainha facão, pois apresentam a barriga fina como fosse uma lâmina.
Em Florianópolis é uma honra conseguir comer tainha do primeiro arrastão. O forte cheiro que exala ao ser frita ou assada denuncia seu consumo em todos os cantos da cidade. A população se mostra alegre porque a tainha chegou.
Referência-
Dados técnicos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tainha
sábado, 23 de julho de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
O entrudo
O Entrudo Popular
O entrudo deriva de manifestações festivas na antiguidade, envolvendo as figuras de deuses como Saturno (romano) e Dionísio (grego) com festas populares em sua honra e que sofrem variações até os dias de hoje. Acontecia tres dias antes do inicio da Quaresma com registros do século XIII, eram utilizadas roupas diferentes das usuais, estravagantes, de cores chamativas que representavam as fantasias do folião.
Com o nome advindo do latim da palavra “introitus” que por metafonia consagrou como entrudo e queria dizer introdução ao período da quaresma. Como parte das festas eram jogados liquidos uns nos outros.
Usando apenas água limpa, era praticado dentro das casas de familia e na corte, todavia entre a população eram atirados todo tipo de líquidos e até água.
Em Portugal na região Trás-os-Montes, na cidade de Lazarim hipertrofiou o habito do uso de máscadas de madeira com chifres diabólicos e ou traje colorido conhecidos como os caretos como mostram as figuras acima.
No Brasil o folgedo foi trazido com a corte e na época de 1608 já foi tentado proibir o entrudo por ser considerado violento enquanto na verdade, se limpo, era apenas incoveniente. Durante muito tempo as máscaras por questão de segurança eram proibidas.
“Em 1857, as crônicas carnavalescas divulgavam, em tom triunfal, a vitória da máscara sobre o entrudo, com características das maneiras carnavalescas italianas, como os bailes de máscaras. Claudia Lima”
Neste momento elas foram introduzidas nos salões atraves dos bailes de máscaras bastante difundidos em toda Europa e trazido também para o Brasil.
Foi na cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1840, então sede do Governo Imperial, que se realizou o primeiro baile público de máscaras do Brasil.
Debret e Rugendas pintores do Brasil Império, artistas encarregados de registrar tudo, deixaram inúmeras aquarelas, gravuras e pinturas destas manifestações populares.
O nome carnaval iniciou mais tarde tendo como origem a conjugação das pelavras do latim “ carnis (carne) + vale (adeus)” significando o início da quaresma e da abstenção de carnes na dieta. O entrudo apesar das tentativas de proibição continuou, embora em menor escala. Diante da mistura de costumes ocorrida pela migração com o crescimento das cidades foi perdido o grau de intimidade que reinava enquanto pequenas comunidades, o que contribuiu para a redução da sua prática. Pelas suas características induzem à reações adversas, por vezes levando à luta corporal, estes problemas fizeram com que o entrudo fosse pouco a pouco abandonado.
Em algumas cidades se mantem em manifestações isoladas como o “mela-mela” de Olinda e entre os “ pipocas” povo que segue o trio elétrico em Salvador com bolas de cêra repletas de água de cheiro ou apenas água.
Busquei todas estas informações como conexão para falar do entrudo na praia da Jaguaruna ou Arroio Corrente.
O entrudo deriva de manifestações festivas na antiguidade, envolvendo as figuras de deuses como Saturno (romano) e Dionísio (grego) com festas populares em sua honra e que sofrem variações até os dias de hoje. Acontecia tres dias antes do inicio da Quaresma com registros do século XIII, eram utilizadas roupas diferentes das usuais, estravagantes, de cores chamativas que representavam as fantasias do folião.
Com o nome advindo do latim da palavra “introitus” que por metafonia consagrou como entrudo e queria dizer introdução ao período da quaresma. Como parte das festas eram jogados liquidos uns nos outros.
Usando apenas água limpa, era praticado dentro das casas de familia e na corte, todavia entre a população eram atirados todo tipo de líquidos e até água.
Em Portugal na região Trás-os-Montes, na cidade de Lazarim hipertrofiou o habito do uso de máscadas de madeira com chifres diabólicos e ou traje colorido conhecidos como os caretos como mostram as figuras acima.
No Brasil o folgedo foi trazido com a corte e na época de 1608 já foi tentado proibir o entrudo por ser considerado violento enquanto na verdade, se limpo, era apenas incoveniente. Durante muito tempo as máscaras por questão de segurança eram proibidas.
“Em 1857, as crônicas carnavalescas divulgavam, em tom triunfal, a vitória da máscara sobre o entrudo, com características das maneiras carnavalescas italianas, como os bailes de máscaras. Claudia Lima”
Neste momento elas foram introduzidas nos salões atraves dos bailes de máscaras bastante difundidos em toda Europa e trazido também para o Brasil.
Foi na cidade do Rio de Janeiro, por volta de 1840, então sede do Governo Imperial, que se realizou o primeiro baile público de máscaras do Brasil.
Debret e Rugendas pintores do Brasil Império, artistas encarregados de registrar tudo, deixaram inúmeras aquarelas, gravuras e pinturas destas manifestações populares.
O nome carnaval iniciou mais tarde tendo como origem a conjugação das pelavras do latim “ carnis (carne) + vale (adeus)” significando o início da quaresma e da abstenção de carnes na dieta. O entrudo apesar das tentativas de proibição continuou, embora em menor escala. Diante da mistura de costumes ocorrida pela migração com o crescimento das cidades foi perdido o grau de intimidade que reinava enquanto pequenas comunidades, o que contribuiu para a redução da sua prática. Pelas suas características induzem à reações adversas, por vezes levando à luta corporal, estes problemas fizeram com que o entrudo fosse pouco a pouco abandonado.
Em algumas cidades se mantem em manifestações isoladas como o “mela-mela” de Olinda e entre os “ pipocas” povo que segue o trio elétrico em Salvador com bolas de cêra repletas de água de cheiro ou apenas água.
Busquei todas estas informações como conexão para falar do entrudo na praia da Jaguaruna ou Arroio Corrente.
domingo, 22 de maio de 2011
Emerita brasiliensis Tatuira ou Tatuí
Emerita brasiliensis
Tatuí – (tatu) tatu e (i) água, tatu da água ou tatu d´água.
A palavra tatuíra esta fora do dicionário Tupy-guarani- português de Silveira Bueno, todavia é empregada entre nós na região sul, pois acima do Paraná é conhecida como Tatuí.
Houaiss em seu dicionário define tatuíra como sendo um tipo de tatu da região que envolve, Bolivia, Paraguay, Brasil, Argentina e também crustáceo que habita as praias brasileiras em quase toda sua totalidade.
É um crustáceo que tem esqueleto externo de forma ovóide formando dorso e laterais, e na face ventral encontramos os membros em numero de dez e placas rígidas compondo seu corpo. Seu habitat é a borda da praia, geralmente aberta para o oceano com fortes ondas onde a água termina penetrando na areia.
De cor branco – acinzentada, tem as margens de cada elemento mais escuras que o seu centro e deixa-se levar pelas águas que sobem na praia, quando a onda baixa retornando ao mar, habilmente penetra na areia. Servindo-se dos seus membros e das placas que contornam o extremo posterior, ela penetra na areia do fundo. Na outra extremidade elas têm os olhos na ponta de dois finos cilindros ladeados por dois espigões pontiagudos e a estrutura bucal com dois elementos plumados que lhe permite coletar plânctons. Ao se introduzir parcialmente na areia estas estruturas ficam à mostra. Ela vive em colônias que ocupam em torno de dois metros quadrados da superfície, uma ao lado da outra, ocupando grande extensão da praia.
Por vezes fica impossível caminhar sobre elas em razão dos espinhos que picam ou perfuram a sola do pé. No ciclo de sua reprodução, produz grande quantidade de ovos que são acomodados no ventre entre as patas, protegidos pela placa que reflete da casca superior. Neste momento armazena grande quantidade de gordura e nutrientes de cor laranja- avermelhada ao longo do dorso e ventre. Demora cerca de três meses desde pequenas até seu tamanho máximo em torno de 4 cm. Costuma ficar em camadas deferentes em que as menores ficam na superfície e as maiores se estabelecem mais abaixo.
A cada etapa de seu crescimento ela troca sua casca permanecendo curto período com a alteração que a deixa conhecida como tatuíra de “casca mole”. Sua presença em abundância significa que a praia é limpa e livre de poluição.
Sua pesca é feita cavando a areia da praia e recolhendo os animais.
É utilizada como isca para pesca de linha, carretilha ou espinhel, a de casca mole é a preferida. Quando pescada deve ser reunida em recipiente de tela ou com orifícios para que desprenda a areia.
A intensa curiosidade do homem o fez pesquisar a maneira de introduzi-la na arte culinária. Uma vez pescada a primeira ação é colocar a tatuíra em coador ou escorredor e deixar mergulhada em água doce pelo tempo necessário para a areia ser eliminada.
A de tamanho menor é tostada em óleo ou manteiga e servida como tira gosto. Para tanto basta dourar em frigideira deixando-a crocante. Come-se inteira, torrada e salgada como se pipoca fosse. Com as maiores se prepara um excelente caldo que fica supimpa quando elas estão ovadas e pode ser preparado segundo a orientação que se segue.
Para dois quilos de tatuíra, descascamos e picamos finamente três a quatro cebolas médias, três tomates maduros, quatro dentes de alho, pimenta do reino, água e sal a gosto. Reunimos tudo numa só panela sem refogar o tempero e deixamos cozer até extrair bem o sabor e ao final acrescentar manjericão ou alfavaca. Graças à ova, cor e sabor são inesquecíveis.
Com amassador de feijão trituramos bem a tatuíra e os temperos até que estejam todos bem macerados. Não utilizamos liquidificador porque as cascas moídas finamente representam permanência de areia e depõe contra a qualidade da sopa. Coamos o caldo espremendo o conteúdo da panela em um pano para retirar apenas o caldo. Depois dependendo de cada cozinheiro ou gosto familiar pode ser engrossado com amido ou farinha de trigo.
O caldo pode ser servido em xícara ou prato como sopa ou utilizar para cozer arroz, fazer caldo de peixe, enfim, atende a toda criatividade.
Tem sabor de tatuíra que se coloca entre siri, lagosta e camarão, mas, com seu toque particular.
Aproveitem esta iguaria pela raridade do seu sabor, talvez o melhor dos mares.
Tatuí – (tatu) tatu e (i) água, tatu da água ou tatu d´água.
A palavra tatuíra esta fora do dicionário Tupy-guarani- português de Silveira Bueno, todavia é empregada entre nós na região sul, pois acima do Paraná é conhecida como Tatuí.
Houaiss em seu dicionário define tatuíra como sendo um tipo de tatu da região que envolve, Bolivia, Paraguay, Brasil, Argentina e também crustáceo que habita as praias brasileiras em quase toda sua totalidade.
É um crustáceo que tem esqueleto externo de forma ovóide formando dorso e laterais, e na face ventral encontramos os membros em numero de dez e placas rígidas compondo seu corpo. Seu habitat é a borda da praia, geralmente aberta para o oceano com fortes ondas onde a água termina penetrando na areia.
De cor branco – acinzentada, tem as margens de cada elemento mais escuras que o seu centro e deixa-se levar pelas águas que sobem na praia, quando a onda baixa retornando ao mar, habilmente penetra na areia. Servindo-se dos seus membros e das placas que contornam o extremo posterior, ela penetra na areia do fundo. Na outra extremidade elas têm os olhos na ponta de dois finos cilindros ladeados por dois espigões pontiagudos e a estrutura bucal com dois elementos plumados que lhe permite coletar plânctons. Ao se introduzir parcialmente na areia estas estruturas ficam à mostra. Ela vive em colônias que ocupam em torno de dois metros quadrados da superfície, uma ao lado da outra, ocupando grande extensão da praia.
Por vezes fica impossível caminhar sobre elas em razão dos espinhos que picam ou perfuram a sola do pé. No ciclo de sua reprodução, produz grande quantidade de ovos que são acomodados no ventre entre as patas, protegidos pela placa que reflete da casca superior. Neste momento armazena grande quantidade de gordura e nutrientes de cor laranja- avermelhada ao longo do dorso e ventre. Demora cerca de três meses desde pequenas até seu tamanho máximo em torno de 4 cm. Costuma ficar em camadas deferentes em que as menores ficam na superfície e as maiores se estabelecem mais abaixo.
A cada etapa de seu crescimento ela troca sua casca permanecendo curto período com a alteração que a deixa conhecida como tatuíra de “casca mole”. Sua presença em abundância significa que a praia é limpa e livre de poluição.
Sua pesca é feita cavando a areia da praia e recolhendo os animais.
É utilizada como isca para pesca de linha, carretilha ou espinhel, a de casca mole é a preferida. Quando pescada deve ser reunida em recipiente de tela ou com orifícios para que desprenda a areia.
A intensa curiosidade do homem o fez pesquisar a maneira de introduzi-la na arte culinária. Uma vez pescada a primeira ação é colocar a tatuíra em coador ou escorredor e deixar mergulhada em água doce pelo tempo necessário para a areia ser eliminada.
A de tamanho menor é tostada em óleo ou manteiga e servida como tira gosto. Para tanto basta dourar em frigideira deixando-a crocante. Come-se inteira, torrada e salgada como se pipoca fosse. Com as maiores se prepara um excelente caldo que fica supimpa quando elas estão ovadas e pode ser preparado segundo a orientação que se segue.
Para dois quilos de tatuíra, descascamos e picamos finamente três a quatro cebolas médias, três tomates maduros, quatro dentes de alho, pimenta do reino, água e sal a gosto. Reunimos tudo numa só panela sem refogar o tempero e deixamos cozer até extrair bem o sabor e ao final acrescentar manjericão ou alfavaca. Graças à ova, cor e sabor são inesquecíveis.
Com amassador de feijão trituramos bem a tatuíra e os temperos até que estejam todos bem macerados. Não utilizamos liquidificador porque as cascas moídas finamente representam permanência de areia e depõe contra a qualidade da sopa. Coamos o caldo espremendo o conteúdo da panela em um pano para retirar apenas o caldo. Depois dependendo de cada cozinheiro ou gosto familiar pode ser engrossado com amido ou farinha de trigo.
O caldo pode ser servido em xícara ou prato como sopa ou utilizar para cozer arroz, fazer caldo de peixe, enfim, atende a toda criatividade.
Tem sabor de tatuíra que se coloca entre siri, lagosta e camarão, mas, com seu toque particular.
Aproveitem esta iguaria pela raridade do seu sabor, talvez o melhor dos mares.
terça-feira, 12 de abril de 2011
leiteiro da Jaguaruna
Leiteiro da Jaguaruna
Como já comentamos havia um lindo e rico arroio chamado Arroio Corrente que emprestava seu nome à praia e se originava na lagoa do Arroio Corrente. Cruzava serpenteando toda a faixa de dunas que tinha a largura aproximada de 1500 m desde a lagoa até o mar.
Este riacho tinha grande população de crustáceos como lagostim e pitu. Uma variedade enorme de pequenos peixes com cores e formas diferentes que colecionávamos em vidros e latas com a intenção de montar aquários em tentativas frustradas pela impropriedade do intento. A água do riacho era límpida e dela bebíamos diretamente quando tínhamos sede e passávamos o dia dentro dele com variadas brincadeiras entre represas e lançamento de barquinhos.
O sr Maneca morador da região próxima à lagoa, onde tinha bom pasto suficiente para criar vacas. Como uma de suas atividades vendia leite de casa em casa. Transportado em latões zincados, daqueles com boca grande. Utilizando uma caneca de lata de azeite feita em latoeiro como medida, servia à maioria dos veranistas da comunidade. Seu produto parecia de boa qualidade, comumente apresentava na sua superfície uma crosta de nata que era coada. Evidentemente era fervido para depois ser consumido. Num belo dia ao servir a medida solicitada de dois litros houve um fato que gerou esta estória.
Surpresa, minha mãe falou - Seu Maneca tem uma piava nadando neste leite! O Sr esta misturando água?
Ele como se já tivesse a resposta preparada, de pronto contestou –
O Dona! - que nada!
Levantando o chapéu de palha com a ponta do dedo indicador falou –
- Eu bem que avisei para minha mulher que era um perigo deixar as vacas beberem água no arroio antes de tirar leite.
Como já comentamos havia um lindo e rico arroio chamado Arroio Corrente que emprestava seu nome à praia e se originava na lagoa do Arroio Corrente. Cruzava serpenteando toda a faixa de dunas que tinha a largura aproximada de 1500 m desde a lagoa até o mar.
Este riacho tinha grande população de crustáceos como lagostim e pitu. Uma variedade enorme de pequenos peixes com cores e formas diferentes que colecionávamos em vidros e latas com a intenção de montar aquários em tentativas frustradas pela impropriedade do intento. A água do riacho era límpida e dela bebíamos diretamente quando tínhamos sede e passávamos o dia dentro dele com variadas brincadeiras entre represas e lançamento de barquinhos.
O sr Maneca morador da região próxima à lagoa, onde tinha bom pasto suficiente para criar vacas. Como uma de suas atividades vendia leite de casa em casa. Transportado em latões zincados, daqueles com boca grande. Utilizando uma caneca de lata de azeite feita em latoeiro como medida, servia à maioria dos veranistas da comunidade. Seu produto parecia de boa qualidade, comumente apresentava na sua superfície uma crosta de nata que era coada. Evidentemente era fervido para depois ser consumido. Num belo dia ao servir a medida solicitada de dois litros houve um fato que gerou esta estória.
Surpresa, minha mãe falou - Seu Maneca tem uma piava nadando neste leite! O Sr esta misturando água?
Ele como se já tivesse a resposta preparada, de pronto contestou –
O Dona! - que nada!
Levantando o chapéu de palha com a ponta do dedo indicador falou –
- Eu bem que avisei para minha mulher que era um perigo deixar as vacas beberem água no arroio antes de tirar leite.
Dona Romana
Dona Romana era uma veranista da praia de que vinha da região de Urussanga /Orleães, de origem italiana, falava com sotaque característico.
Muito religiosa tinha um papagaio que repetia sua cantoria de igreja e outras orações quando estimulado por ela.
Todo inicio de verão era uma alegria quando procurávamos a D. Romana ela no seu varandão e nós diante da casa para que o bichinho fizesse a exibição mostrando tudo que havia aprendido naquele ano. Estimulado acompanhava cantando ”Louvando Maria” e outras tantas músicas e ladainhas.
Num dos verões que se seguiram chegou D. Romana e seu papagaio não, ele havia fugido. Ficamos todos tristes pela perda de figurinha tão especial. No ano seguinte fomos buscar notícias e perguntada pelo seu fiel seguidor ela contou que numa tarde durante aquele ano ela ouviu um som de reza forte vindo do céu.
Qual não foi a sua surpresa quando viu seu papagaio na frente de um bando deles. Ele rezava puxando a ladainha e o restante em coro respondia cantando os estribilhos.
Muito religiosa tinha um papagaio que repetia sua cantoria de igreja e outras orações quando estimulado por ela.
Todo inicio de verão era uma alegria quando procurávamos a D. Romana ela no seu varandão e nós diante da casa para que o bichinho fizesse a exibição mostrando tudo que havia aprendido naquele ano. Estimulado acompanhava cantando ”Louvando Maria” e outras tantas músicas e ladainhas.
Num dos verões que se seguiram chegou D. Romana e seu papagaio não, ele havia fugido. Ficamos todos tristes pela perda de figurinha tão especial. No ano seguinte fomos buscar notícias e perguntada pelo seu fiel seguidor ela contou que numa tarde durante aquele ano ela ouviu um som de reza forte vindo do céu.
Qual não foi a sua surpresa quando viu seu papagaio na frente de um bando deles. Ele rezava puxando a ladainha e o restante em coro respondia cantando os estribilhos.
Sr Bonifácio
Sr Bonifácio
O Sr Bonifácio não sabia quantos anos tinha, mas, já era de grande idade quando o conheci. Minha avó que era baiana dizia que na compra de escravos uma premissa era observada "Negro quando pinta três vezes trinta." Isto significava que se aproximavam de noventa anos aqueles cujos cabelos eram brancos.
Seu Bonifácio era grisalho, com mais cabelos brancos do que pretos. Independente disto tinha um lindo coração comandado por total inocência. Morava sozinho e isolado nas margens da Lagoa do Arroio Corrente num casebre de um só cômodo onde nos cantos ficavam sala, quarto, cozinha, uma mesa para as refeições e seu banheiro era o mato circundante. Nunca lhe faltava proteína, pois sempre tinha pequenos peixes em seu covo, estrategicamente colocado entre os juncos em frente à sua casa que era toda cinza pela madeira sem pintura exposta ao tempo e à fuligem de seu fogão/fogueira. Quando ia até a praia era este o seu perfume que bem o conhecia seu pequeno cachorro.
Seu sonho era ir para outro local mais próximo da civilização e de onde talvez fosse possível tirar algum proveito.
Após muitas tratativas e conversações o seu Bonifácio conseguiu material para fazer uma casa em frente ao Camilo junto à porteira com quem passou a dividir o pedágio pela sua abertura.
Sua nova casa logo foi reformada com a construção de um segundo compartimento aos fundos.
Este fato o encheu de orgulho e o nobre proprietário passou a dizer:
- Agora sim estou contente!
- Por que Bonifácio?
- Nossa homem! - hoje tenho uma casa de dois pavimentos.
- Como assim?
- Ora! - um na frente outro atrás.
O Sr Bonifácio não sabia quantos anos tinha, mas, já era de grande idade quando o conheci. Minha avó que era baiana dizia que na compra de escravos uma premissa era observada "Negro quando pinta três vezes trinta." Isto significava que se aproximavam de noventa anos aqueles cujos cabelos eram brancos.
Seu Bonifácio era grisalho, com mais cabelos brancos do que pretos. Independente disto tinha um lindo coração comandado por total inocência. Morava sozinho e isolado nas margens da Lagoa do Arroio Corrente num casebre de um só cômodo onde nos cantos ficavam sala, quarto, cozinha, uma mesa para as refeições e seu banheiro era o mato circundante. Nunca lhe faltava proteína, pois sempre tinha pequenos peixes em seu covo, estrategicamente colocado entre os juncos em frente à sua casa que era toda cinza pela madeira sem pintura exposta ao tempo e à fuligem de seu fogão/fogueira. Quando ia até a praia era este o seu perfume que bem o conhecia seu pequeno cachorro.
Seu sonho era ir para outro local mais próximo da civilização e de onde talvez fosse possível tirar algum proveito.
Após muitas tratativas e conversações o seu Bonifácio conseguiu material para fazer uma casa em frente ao Camilo junto à porteira com quem passou a dividir o pedágio pela sua abertura.
Sua nova casa logo foi reformada com a construção de um segundo compartimento aos fundos.
Este fato o encheu de orgulho e o nobre proprietário passou a dizer:
- Agora sim estou contente!
- Por que Bonifácio?
- Nossa homem! - hoje tenho uma casa de dois pavimentos.
- Como assim?
- Ora! - um na frente outro atrás.
Sr Camilo
Camilo-
O Sr Camilo, era homem simples que morava na praia da Jaguaruna cujo nome é "Arroio Corrente". A praia composta por extensa área de dunas de areia branca ou creme, interrompida pelo Arroio Corrente, sangradouro da lagoa. Esta lagoa do "Arroio Corrente" é grande, com água doce e límpida apesar da cor negra pela sua profundidade e depósito de matéria orgânica, onde se podia pescar taraíra, cara e com muita sorte algum pitu de longas garras. Próximo à lagoa existia plantação de milho, feijão, melão cheiroso, melancia e pastos com criação de animais. Na estrada que levava à vila se instalou uma porteira para impedir a passagem destes animais para a praia. O Sr. Camilo morava num pequeno rancho que restava coberto pelas dunas no final dos períodos de vento sul.
A comunidade resolveu fazer uma casa próxima à porteira para ele abrigar sua numerosa prole. Do obséquio de abrir a porteira para cada viajante que chegasse a cobrar uma espécie de pedágio, foi muito rápido. Na freguesia moravam ainda o Sr. Geronimo, preto gordo e grande que realizava algumas tarefas, Teófilo que muito gostava no fim da tarde de um trago de butiá ou losna para tratar o fígado. Nego Osni como era chamado, a quem não se podia contar uma anedota porque ele literalmente rolava no chão de tanto rir. Sr Jorge que atuava de eletricista e o Sr Jaci dono da venda, cujas anotações nos cadernos de compras necessitavam constantemente de tradutor especial.
No bar do Jaci reuniam-se todos para a prosa do final do dia e ingresso na noite, já tarde, voltavam para casa, prontos para dormir.
Em frente à praia na linha do horizonte, há uma afloração de pedras chamada de Parcel do Campo Bom que se pode ver graças à espuma das ondas que nela rebentam. É uma formação que reúne peixes de passagem e moradores das pedras. Seu perigo para a navegação é tal que na luz do farol de Santa Marta é marcado com facho de luz vermelha.
Junto a este arrecife eram colocadas redes de espera que lá dormiam. Em canoas bordadas de um só tronco, os pescadores iam remando num dia para deixar e outro para recolher. Voltavam com grandes miraguaias, cações mangona e tubarões martelo , daqueles com muitas fileiras de dentes. Decantando sua coragem e capacidade de nadar, o Sr Camilo contava no bar do Jaci que em uma destas idas foram surpreendidos por uma borrasca de ventos fortes, ondas grandes e mar revolto e ele que fazia parte da emenda como lançador, foi jogado fora da embarcação. Ficou perdido no meio das espumas, remando e lutando muito, seus companheiros chegaram à praia, enquanto ele ficou nadando, um dia, dois dias e no final da semana quando chegou na praia não podia caminhar com liberdade de tanto mariscos e ostras que tinha agarrados ao seu corpo.
O Sr Camilo, era homem simples que morava na praia da Jaguaruna cujo nome é "Arroio Corrente". A praia composta por extensa área de dunas de areia branca ou creme, interrompida pelo Arroio Corrente, sangradouro da lagoa. Esta lagoa do "Arroio Corrente" é grande, com água doce e límpida apesar da cor negra pela sua profundidade e depósito de matéria orgânica, onde se podia pescar taraíra, cara e com muita sorte algum pitu de longas garras. Próximo à lagoa existia plantação de milho, feijão, melão cheiroso, melancia e pastos com criação de animais. Na estrada que levava à vila se instalou uma porteira para impedir a passagem destes animais para a praia. O Sr. Camilo morava num pequeno rancho que restava coberto pelas dunas no final dos períodos de vento sul.
A comunidade resolveu fazer uma casa próxima à porteira para ele abrigar sua numerosa prole. Do obséquio de abrir a porteira para cada viajante que chegasse a cobrar uma espécie de pedágio, foi muito rápido. Na freguesia moravam ainda o Sr. Geronimo, preto gordo e grande que realizava algumas tarefas, Teófilo que muito gostava no fim da tarde de um trago de butiá ou losna para tratar o fígado. Nego Osni como era chamado, a quem não se podia contar uma anedota porque ele literalmente rolava no chão de tanto rir. Sr Jorge que atuava de eletricista e o Sr Jaci dono da venda, cujas anotações nos cadernos de compras necessitavam constantemente de tradutor especial.
No bar do Jaci reuniam-se todos para a prosa do final do dia e ingresso na noite, já tarde, voltavam para casa, prontos para dormir.
Em frente à praia na linha do horizonte, há uma afloração de pedras chamada de Parcel do Campo Bom que se pode ver graças à espuma das ondas que nela rebentam. É uma formação que reúne peixes de passagem e moradores das pedras. Seu perigo para a navegação é tal que na luz do farol de Santa Marta é marcado com facho de luz vermelha.
Junto a este arrecife eram colocadas redes de espera que lá dormiam. Em canoas bordadas de um só tronco, os pescadores iam remando num dia para deixar e outro para recolher. Voltavam com grandes miraguaias, cações mangona e tubarões martelo , daqueles com muitas fileiras de dentes. Decantando sua coragem e capacidade de nadar, o Sr Camilo contava no bar do Jaci que em uma destas idas foram surpreendidos por uma borrasca de ventos fortes, ondas grandes e mar revolto e ele que fazia parte da emenda como lançador, foi jogado fora da embarcação. Ficou perdido no meio das espumas, remando e lutando muito, seus companheiros chegaram à praia, enquanto ele ficou nadando, um dia, dois dias e no final da semana quando chegou na praia não podia caminhar com liberdade de tanto mariscos e ostras que tinha agarrados ao seu corpo.
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